domingo, 24 de agosto de 2008

Visitando a faculdade

Na primeira vez que a vi, eu estava parada na rampa que dava acesso ao auditório da faculdade. Tinha ido ali convidada por um amigo que apresentaria, se não me engano, o trabalho de conclusão de curso. Ele estava empolgadíssimo com a apresentação. Acho que o tema era "A repressão feminina na obra de Machado de Assis". Não me lembro bem, afinal de contas do Machado de Assis, lembro-me apenas da Capitu. Ela estava lá, na fila da cantina. Vi quando pegou um lanche natural, um suco de caixinha e sentou-se sozinha na praça central do pátio. Reparei que alguns meninos a olhavam de longe. Um deles que, a princípio tive a impressão de conhecê-la, sentou-se ao seu lado, falou alguma coisa, mas ela, sem dar um único sorriso, balançou negativamente a cabeça e ele saiu com a cara amarrada. Seus amigos morriam de rir. É... eles não se conheciam.
Daquela distância, ela lembrava a cena de um filme... pele clara, cabelos caindo sobre os ombros... seu corpo era divino... pernas bem torneadas, coxas grossas, bumbum saliente. Os seios tentadores, mas sem ser muito volumosos. Algo me impelia a tentar o contato, mas já havia visto o fora que o menino havia tomado. Sempre fui corajosa, mas ali, um certo receio instalou-se em mim. Ainda extasiada pela beleza dela, resolvi que não tinha nada a perder. Quando resolvi que iria, meu amigo disse que sua apresentação começaria. Entramos e eu receosa de que ela desaparecesse para nunca mais vê-la, ainda olhei de relance, mas puxando-me pelo braço, meu amigo e eu sumimos dentro do auditório. Sentada, ali, minha cabeça não conseguia se concentrar. Machado, Bentinho, Morro do Livramento, século XIX, nada fazia com que eu a esquecesse. Será que demoraria muito pra acabar. Abaixei-me para pegar o celular quando, sem esperar, alguém tocou em meu ombro. Olhei, um pouco assustada e lá estava ela. Atônita, mirava seus olhos quando ouvi, pela terceira vez, acho, ela pedir-me para que pegasse a caneta que havia caído abaixo de meu banco. "Como?" perguntei. Ela repetiu e só aí dei-me conta de que era real. Ela estava no banco bem atrás de mim. Antes de virar-me, logo após ouvi-la agradecer, baixei os olhos rapidamente para suas pernas. Eram tão lindas quanto tinha visto de longe. Passei o restante da palestra imaginando seus movimentos atrás de mim. Ouvi quando ela riu da piada que meu amigo havia contado. Finalmente chegava ao fim a palestra. Pensei em sair rápido para passar pelo corredor junto com ela, mas ela não se levantou imediatamente. "Odeio lugares lotados", ela me disse... respondi afirmativamente. Perguntei se ela havia gostado da apresentação. Ela teceu um ou outro comentário, mas a última coisa que eu queria era ouvir sobre Literatura naquele momento. Esvasiando o corredor, ela levantou-se e despediu-se rapidamente. Dando dois passos, virou pra trás e perguntou se eu tinha compromisso, pois iria pegar um livro na biblioteca e queria ver a próxima apresentação, mas não estava disposta a fazer isso sozinha. Hesitei, mas acabei aceitando. Ela pediu que eu esperasse, mas que me sentasse mais ao fundo, pois a visão e a proximidade da caixa de som ajudariam bastante. Assim o fiz.

2 comentários:

Tamille 24 de agosto de 2008 08:08  

seu entrosamento com as palavras deixa tudo tão mágico! li umas dez vezes, perfeito .

Débora 29 de agosto de 2008 00:38  

Tam, vindo de você é mais que um elogio. beijos para ti, menina linda!

Postagens mais populares

Comentários recentes

Os que mais comentaram

Este blog usa diversas dicas "Usuário Compulsivo".

  © Blogger template 'Sunshine' by Ourblogtemplates.com 2008

Back to TOP