Meus olhos, famintos...

Após receber seu telefonema dizendo que não estava bem, preocupei-me. Tínhamos discutido por causa de ciúmes. Até aquela hora, mesmo não tendo ido trabalhar, não conseguia colocar as idéias em ordem. "Por que estava falando com aquela vaca" era a frase que mais tinha marcado minha noite. "Não percebeu que ela estava dando em cima de você" ela me dizia. Não sei... fiquei com raiva, pensei em terminar tudo, mas algo me prendia... lembrava-me dos versos de Vinícius.... "que seja eterno enquanto dure"...
Tudo sumiu de minha cabeça no momento em que o telefone de casa tocou. Ela tinha acabado de sair da faculdade. Dizia não ter forças para assistir às aulas e pediu que eu fosse buscá-la. Em poucos instantes estava lá, carro estacionado, "Soul Parsifal" no rádio...
"Ninguém vai me dizer o que sentirLegião me deixa melancólica, eu sei, mas era meu estado de espírito, mas não poderia deixar que ela me visse assim... lembrei-me... como era mesmo a canção que tocava quando trocamos o primeiro beijo? Lembrei-me... dizia assim:
Meu coração está desperto
É sereno nosso amor e santo este lugar
Dos tempos de tristeza tive o tanto que era bom
Eu tive o teu veneno
E o sopro leve do luar"
"Eu estou pensando em você.Não, não podia deixar que aquilo tomasse grandes proporções... nem tive tempo de recobrar os sentidos, de ensaiar o que diria e já vi você vindo em direção ao carro... "você não sofre porque não sente o que eu sinto/ há um iceberg em você, que eu tenho de derreter/ que tipo de piscina terá debaixo desse tramplim/ que pulo que eu vou ter que dar, pra não me ferir/ por que acordar sem você é ficar cego no amanhecer..." tocava essa música quando você entrou no carro. Quase em uníssono, dissemos perdão uma a outra. Não podíamos deixar isso acontecer. Minha mão pousou sobre seu rosto e acariciando seu cabelo, indiquei que queria um beijo. Seu olhar, que a princípio me afastou, agora convidava-me para aquilo. Ali, bem no meio do estacionamento da faculdade, um beijo restaurou a ordem das coisas enquanto o Paulinho Moska cantava no rádio "meus olhos, famintos, não se cansam de te acariciar, procuram sempre um novo ângulo pra te admirar."
Pensando em nunca mais
Pensar em te esquecer
Pois quando penso em você
É quando não me sinto só
Com minhas letras e canções
Com o perfume das manhãs
Com a chuva dos verões
Com o desenho das maçãs
E com você me sinto bem"
3 comentários:
Uiiii..profundo o post..adorei é lindo..desse jeito vou virar frequentadora deste blog..rsrs..bjos!!!
Naty, muito obrigada pela visita. Esse espaço está sendo construído com calma, mas com muita paxão... Não é verdade, Tam?
Exatamente!
Vire frequentadora sim, e acompanhe o tamanho da paxão que cresce a cada post
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